Projeto

Oficina do Tato  é um projeto formativo do  P. Porto desenvolvido pelo Núcleo de Apoio a Inclusão Digital da  Escola Superior de Educação, que pretende promover a inclusão e a integração socioprofissional de jovens em situação de vulnerabilidade, através de um programa de aquisição de competências pessoais e técnicas, baseadas nos novos  paradigmas associados ao Movimento Maker e à utilização de tecnologias disruptivas (prototipagem e fabricação 3D, robótica, IOT, prototipagem eletrónica e outros).

O programa parte de um pressuposto socioconstrucionista que valoriza a aprendizagem baseada em projetos e o processo criativo dos participantes, ao mesmo tempo que fomenta as interações criando uma verdadeira comunidade de prática facilitadora da sua integração social e profissional.

Os projetos, concebidos e realizados no FabLab da ESE e nos espaços do próprio Núcleo de Apoio a Inclusão Digital, deverão incluir a construção de um acervo de produtos personalizados de baixa ou média tecnologia e recursos de acessibilidade para  pessoas com deficiência e/ou incapacidade,  com especial relevância para a deficiência visual, mas que e se podem revelar de valor inestimável em diversos contextos ligados à deficiência e incapacidade: escolas de referência para alunos cegos e com baixa visão, ERPI, IPSS, etc. O facto de os projetos se materializarem em produtos com valor social relevante, reforça a matriz integradora do projeto e funciona como facilitador de aquisição de valores de inclusão e empatia, que contribuem para o desenvolvimento pessoal e social dos formandos.

Todos os modelos criados serão disponibilizados em regime de “Open Soure” numa plataforma digital, ou integrados em plataformas internacionais ( e.g. 3DforAll, Thingiverse, etc.) para partilha com a comunidade.

O programa possui, assim, uma dimensão humana (social e pedagógica), técnica (saber fazer, aplicar) e socioeconómica (investimento, retorno financeiro, etc.) e qualquer uma destas dimensões é assegurada por uma equipa específica.  Está também prevista a existência de um parceiro comercial para apoio técnico relativamente aos equipamentos necessários, que apoiará a instituição (entidade promotora) nas questões logísticas.

Objetivos

  1. Estimular o gosto pelo fazer (DIY) a aprendizagem de técnicas de desenho, prototipagem digital e fabricação 3D, com vista à definição de   itinerários de inserção personalizados que permitam melhorar a empregabilidade e o acesso ao mercado de trabalho;
  2. Promover competências transversais de trabalho em equipa, apresentação das sua próprias ideias, etc., estimulando a criatividade e o “critical thinking” e oferecendo oportunidades de emancipação e desenvolvimento pessoal e social;
  3. Desenvolver produtos de relevância social ou que permitam a sustentabilidade do projeto e a disseminação de ideias, no respeito pelos valores da partilha e solidariedade.

Metodologia

As metodologias que propomos para a realização deste projeto são baseadas no Design Thinking e na aprendizagem baseada em projetos (PBL), realçando a importância do trabalho colaborativo e o apoio mútuo autorregulado.

Sempre que possível, os alunos serão capazes de colocar em prática as suas próprias ideias ou, em resposta a sugestões de trabalho, terão espaços para refletir, pesquisar e gerar novas ideias. Ao organizar o trabalho em equipa, podem comunicar as suas conquistas e sentir a capacidade de enfrentar novos desafios dentro e fora do espaço de trabalho. O erro será sempre parte integrante e entendido como uma etapa do processo.

Os produtos finais passam a fazer parte de um repositório em suporte digital aberto à transformação por parte de outras pessoas. A construção de produtos de apoio de baixa e média tecnologia para pessoas com deficiência e/ou incapacidade pode também reforçar o sentido de responsabilidade social e consequentemente a autoestima e reforço de um quadro de valores que seja também facilitador de um processo de integração profissional.

Atividades

O projeto é desenvolvido em quatro fases sequenciais, com a duração de um semestre cada uma, ou seja, num horizonte temporal de dois anos.

1 Fase (Conhecer)

Formação – 120 horas (15 semanas)

O programa inicia-se com um processo formativo e de integração, seguindo um modelo formal previamente estabelecido e com uma periodicidade de dois dias por semana. A abordagem é feita em duas dimensões: técnica e psicossocial.

Na dimensão técnica, contamos com um formador/facilitador com um perfil alinhado com o espírito Maker e com experiência técnica e pedagógica adequada. Deverá focar aspetos técnicos e de segurança das diversas ferramentas e áreas de trabalho, garantindo também um nivelamento de competências, tendo em conta a heterogeneidade do grupo. Poderá consistir, inicialmente, na dissecação de brinquedos, desenvolvimento de peças artísticas ou lúdicas, com recurso a baixa e média tecnologia.

Trata-se de processo dinâmico, em que os formandos adquirem uma dinâmica própria e gosto pelo fazer e pelo criar. A dimensão psicossocial será assegurada por uma psicóloga, coadjuvada pelo Centro de Intervenção Psicopedagógica da ESE e seguirá um plano de integração dinâmico, focado nas capacidades individuais de cada formando e na autorregulação do grupo.

2 Fase (Aplicar)

Formação – 120 horas (15 semanas)

Numa segunda fase, os formandos deverão aplicar as competências adquiridas em produtos específicos, mas sempre num regime de trabalho cooperativo e/ou colaborativo, mantendo-se o foco no esforço na autorregulação e nas interações sociais.

É uma fase de consolidação, quer do ponto de vista técnico, quer no domínio das interações dos diversos elementos do grupo. Seguindo instruções claras e planeadas, os formandos elaboram um projeto de equipa, que pode ser inspirado nos milhares de exemplos acessíveis em suporte digital (Instructables, Thingiverse, Youtube, etc). Seguirá, por isso uma metodologia de aprendizagem baseada em projetos (PBL) e, nesta fase, estará mais centrada no processo que no produto.

Fase 3: Avaliar Soluções

Oficina – 120 horas

A terceira fase implica já um envolvimento com a comunidade e está assente na utilização de uma plataforma digital de partilha de informação e angariação de projetos. Através de canais diversificados, é feita a disseminação do projeto junto das comunidades de pessoas com deficiência ou mesmo a título individual. Pretende-se ainda que o projeto evolua no sentido incluir voluntários ou estagiários dos cursos profissionais no processo criativo, eventualmente com recurso a pequenos “hackathons“, criando assim uma rede de conhecimento e partilha no desenvolvimento de soluções personalizadas para pessoas com necessidades especiais.

Fase 4: Criação

Oficina – Horário Livre

A quarta fase é concomitante com a anterior e prevê a possibilidade de os formandos avançarem com projetos de autoria, que poderão ser aproveitados como “gatilhos “para contextos reais de produção e motivação para um percurso profissional.

Eventualmente serão criadas condições para uma linha de produção de plantas de emergência tridimensionais para interiores de edifícios ou mapas para conhecimento de espaços e áreas para cegos.

Recursos Humanos

Um FabLab inclusivo não é apenas um local onde existem ferramentas e se constroem coisas. É um local onde as pessoas trabalham em conjunto para um mesmo fim, interagem e concretizam projetos. É por isso muito importante que exista um ambiente estruturado, em que os seus “habitantes” se sintam confortáveis, confiantes e seguros. Num contexto em que coabitam diferentes perfis e personalidades com a as suas próprias idiossincrasias é importante garantir um sistema de regulação das interações e, ao mesmo tempo, um eficaz acompanhamento técnico para que as experiências não se tornem frustrantes.

O projeto conta para isso com uma equipa técnico-pedagógica constituída por um psicólogo e pela equipa de formação especializada que supervisiona as interações, enquanto facilitadora de todo o processo. Existe também uma equipa técnica que planifica, desenvolve e avalia os projetos do ponto de vista da sua exequibilidade, segurança e posterior disseminação

Esta coordenação pedagógica e científica está a cargo de uma equipa especializada da ESE, que estuda agora o arranque de um Curso Tecnológico Superior Especializado que prepara os facilitadores que irão implementar a metodologia colaborativa

Está ainda prevista a existência de um coordenador geral, nomeado pela entidade promotora que acompanha os trabalhos e superintende questões de logística.